“To blog or not to blog”– o que está fazendo a academia

Em um artigo publicado no jornal britânico The Guardian, no dia 2 de dezembro, na sessão “Professional: Higher Education Network”, os autores, ilustres pesquisadores da Universidade de Nottingham e da Universidade Nacional da Austrália analisaram as razões pelas quais os acadêmicos escrevem blogs¹, e parece que não são aquelas que, em princípio, se imaginava.

A idéia geral de que os pesquisadores são encorajados a escrever blogs, é que escrever para o público em geral, em linguagem simples, ajuda a esclarecer as próprias ideias, para promover a importância da ciência entre as pessoas comuns, e melhorar a reputação dos próprios cientistas. É uma forma de preencher a lacuna entre os acadêmicos e outros cidadãos. Mas parece que os blogueiros acadêmicos não o fazem por estas razões, pelo menos em sua maioria, mas o fazem por suas próprias razões de trabalho e de interesses pessoais.

Para o estudo publicado no The Guardian, os autores selecionaram 100 blogs acadêmicos em inglês publicados no Reino Unido, EUA, Canadá e Austrália, que incluiu tanto pesquisadores como professores, bem como profissionais que cumprem tarefas de gerenciamento relacionadas à pesquisa nas universidades. Ao analisar o conteúdo dos blogs e comentários que são gerados em torno das notas publicadas, eles encontraram os seguintes resultados:

  • 41% focam em comentários e avaliação da vida acadêmica, reflexões sobre financiamento e políticas de educação.

  • 40% são relatos e comentários sobre a pesquisa que estão fazendo.

  • O restante trata de questões gerais, incluindo conselhos sobre o ensino e a carreira acadêmica.

  • O estilo de escrita é mais direto e informal.

  • 40% das notas também usa um estilo mais estruturado semelhante aos artigos de periódicos, mas com menos referências bibliográficas.

  • Três quartos do conteúdo são voltados para os colegas, e apenas um terço estava escrito de forma simples para ser lido por pessoas comuns.

A conclusão do estudo é que a maioria dos blogs acadêmicos são projetados para interagir com os colegas e não para ser lido pelo público em geral, como se supunha que deveriam ser. O mundo dos blogs acadêmico funciona como uma sala virtual global, onde os colegas se sentam ao redor de várias mesas para discutir intensamente sobre:

  • As condições de trabalho e os assuntos relacionados à profissão.

  • Os projetos em curso.

  • Como obter contratos para publicar livros e obter um bom CV.

  • Ajuda e conselhos entre colegas de forma generosa.

  • Informar à comunidade de pares em formato acesso aberto o que eles estão fazendo e, com isso, assegurar certa prioridade nas ideias, muito antes de conseguir ser publicado formalmente em um periódico arbitrado.

Este cenário está longe da ideia de “esclarecer ideias, divulgar a ciência entre os cidadãos comuns e melhorar a reputação”, é muito menos romântica.

O cenário de blogs acadêmicos também começa a receber pressões pelas instituições às quais pertencem os blogueiros. Essas discussões informais são travadas em blogs, incluindo críticas que se tornam públicas mais cedo ou mais tarde, não são do agrado das universidades em que trabalham, e as autoridades não consideram que estas opiniões se inserem dentro da liberdade acadêmica que gozam professores e pesquisadores, mas são considerados dentro das relações públicas e informação para a imprensa. Universidades, particularmente na Austrália, estão começando a regular o que pode ser dito em blogs, e que as coisas podem comprometer a reputação e prestígio da instituição a que pertence o blogueiro.

Estamos apenas começando a entender o mundo dos blogs acadêmicos, por isso, devemos prestar atenção ao que acontece nos países mais avançados, porque mais cedo ou mais tarde ocorrerá o mesmo em nossos países em desenvolvimento.

Conteúdo replicado do site Scielo em Perspectiva. Para acesso ao conteúdo original acesse aqui.



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